MAURICE FULTON

Thump thump thump thump…

O familiar pulsar do bombo duma caixa de ritmos pode induzir a muita coisa e juntar-se a mil e um resultados possíveis no todo de uma faixa, cada uma única. Mas Maurice Fulton é daquelas lendas a quem podemos agradecer toda a influência no House. Desde os anos 90 que anda a dar uma mãozinha a produzir alguns dos maiores clássicos do género - “Gypsy Woman”, de Crystal Waters ou “Love Love Love” dos Basement Boys, tiveram o seu toque de midas. Maurice cresceu no Hip Hop, mas rapidamente se fartou da violência e da mensagem menos que positiva que acabou por assolar boa parte desse movimento. Foi nos ritmos quatro-por-quatro que encontrou abrigo. Em parcerias, ou como produtor ou teclista, explorou as vertentes mais Garage do House, de início. Avançando e nunca estagnando, mostra influências desde o Disco (incontornável no seu ADN) e Jazz até ao Electro, não foge ao Dub, e confirma-se, enfim, um grande Senhor dos nossos tempos.

O americano, agora radicado na Australia, é um daqueles tipos cuja colecção e conhecimento musical deve fazer roer de inveja e admiração grande parte dos seus pares. Felizmente para nós, Maurice não se confina ao estúdio e é um DJ de excelência, livre de dogmas para além da busca incessante pelo disco certo. E esse disco certo é normalmente tão surpreendente como certeiro. Não se admirem se no fim ficarem com a sensação que o inesperado é muitíssimo divertido!
- Inês Duarte