BAIKAL

Baikal pode querer dizer o mais antigo e profundo lago no mundo. Mas se formos pessoas atentas à música electrónica de dança nos últimos anos, o primeiro instinto é associar Baikal com o produtor do mesmo nome, senhor de uma sonoridade tremenda e brincalhona com os sintetizadores. House onde camadas e camadas de detalhes se vão empilhando e encaixando umas nas outras, onde as melodias serpenteiam com facilidade – veja-se a mais recente Pelican’s Flight ou a já clássica Why Don’t Ya?, que de tão tocada por Dixon até teve direito a remistura do mesmo.
Companheiro de Mano Le Tough e The Drifter na editora dos 3, a Maeve, Baikal terá sem dúvida muito em comum com os mesmos, ao mesmo tempo que deixa a sua marca própria. E o que esperar de uma quinta quente e suada no Agosto de Santa Apolónia? Os sons plásticos do House e Techno modernos (embora assuma declaradamente as influências de Chicago e Detroit, das origens, da raiz), ora arrastados ora curtos e incisivos, mas sempre com aquele poder que nos parece engolir, envolver e não largar mais, propelindo-nos no transe da dança noite fora. Exercício de vá-para-fora-cá-dentro, viagens interiores à boleia de Baikal pela galáxia onde o céu tem luzes vermelhas.
- Inês Duarte